quinta-feira, 25 de julho de 2013

UM DIA DE CADA VEZ


Outro dia em uma conversa informal, ouvi falar sobre os Sadhus da Índia. Isso me fez refletir sobre a vida frenética e urgente que vivemos; sobre as pressões e as ansiedades; os medos e as incertezas da alma.

Sadhu tem muitas traduções, entre elas: gentil, honesto, puro, pacifico. Mas também refere-se ao Homem sábio, santo, vidente. Eles acreditam na eternidade da alma, na vida após a vida; na multiplicidade de experiências ou reencarnação como conhecemos. Suas vidas são de desprendimento, o agora parece tudo o que possuem. Não se prendem a bens materiais e suas necessidades se resumem ao pão de cada dia. Comem pouco, alimentam-se basicamente de raízes, frutos secos e de donativos ofertados. “Os Sadhus dizem que cada um deve buscar a felicidade dentro de si mesmo e que o maior poder é Deus e que está em todos os Homens.” A favor deles a eternidade, que lhes permitirá viver as muitas experiências necessárias a alma. E a favor de nós, quer acreditemos nisso ou não. 

Aqui não cabe nenhum julgamento ao modo de vida dos Sadhus, se essa vida é boa ou ruim é tudo uma questão de perspectiva. Meu foco é sobre a eternidade da alma e o quanto esse pensamento pode ser libertador, se você se abrir para ele. Mas com certeza os Sadhus tem muito que ensinar, através dessa vida desprendida que levam. 

Os Sadhus vivem uma vida simples, não parecem temer o futuro ou apegarem-se ao passado. A vida que levam é apenas mais uma, das muitas que irão experimentar ao longo da jornada da alma. Pensar dessa forma tira um peso, mesmo que momentaneamente dos ombros, e nos habilita a reconhecer o quanto a vida é abundante, mesmo diante da escassez da matéria. Entender que, pelas leis da eternidade, não precisamos nos preocupar tanto com o futuro e nem nos apegarmos ao passado. Que tudo o que importa é a vivência do agora. Que as angústias da alma por coisas que fizemos ou deixamos de fazer, só nos levam a carregar fardos desnecessários. Por isso, não há motivos para lamentarmos pelo que foi ou não foi. A vida nos permite sempre, uma nova oportunidade de vivenciar. Que o agora é tudo que realmente temos, e é nele que devemos depositar o tudo que somos. 


Os Sadhus revelam sem nada dizer, que existem poucas coisas com as quais precisamos realmente nos preocupar, e que a vida é uma benção eterna. Com isso penso que tudo o que temos de acréscimo na vida material, deve ser usado com sabedoria, conscientes de que nada realmente nos pertence. Que os apegos só nos trazem mais medos, e aumentam uma bagagem que não poderemos levar conosco. Pensar que a alma terá muitas oportunidades de experimentar a vida, de muitas formas e em muitos lugares, me faz perceber que não existe necessidade de pressa, para ir ou chegar, pois o amanhã para a minha alma é eterno. Que a vida se assemelha a um jogo de xadrez, e em cada vivência ocuparemos um lugar diferente nesse tabuleiro e, às vezes, mais de um lugar ao longo da mesma vida. Cavalos, Bispos, Torres, Peões, Reis ou Rainhas não importa. Eles são apenas o que são, personagens temporários em nossa existência, nesta vida de aventuras pela eternidade. 

Sei que muitos irão dizer que essa maneira de viver é uma utopia. Mas a verdadeira proposta é semear. Mesmo dentro de mim esse pensamento ainda é uma semente. Mas sei que um dia no futuro, não importa quando, eu estarei pronta para vê-la brotar. Enquanto isso, é aprender a relaxar e procurar viver um dia de cada vez e, em cada um desses momentos se entregar por inteiro, para aproveitar tudo o que esse breve instante, dentro da eternidade, pode nos oferecer.  


Texto de Rosana Sidom - Astróloga e Terapeuta Vibracional

Um comentário:

  1. Mas você articulou muito bem os nossos fiapos de conversa, Rô! Eu diria que o conceito de vida eterna é tão libertador quanto o princípio budista da lei de causa e efeito - aquele em que não dá para culpar ninguém pela vida que escolhemos viver - angustiante não poder jogar a responsabilidade na mão de ninguém né?rs. Nem mesmo de um deus onipotente. Adorei o texto. Vou compartilhar. Bjs

    ResponderExcluir

Muito Grata pela visita. Seus comentários enriquecem este espaço.