sexta-feira, 2 de julho de 2010

NO BANCO DOS RÉUS


Ouve-se o som do martelo.
O réu aguarda a sua sentença em silêncio, inerte. Ele ainda não sabe que está ali sendo julgado, quiçá um dia soubesse, poderia se defender ou, se retratar. Mas do que exatamente ele deve se retratar se o seu único erro foi o de se tornar bode expiatório das frustrações de outra pessoa? E, só por esse motivo, é que ele está sentando no banco dos réus da vida de alguém.

E aí, quem está no banco dos réus da sua vida?

Sim! Esse ser que pode não ser um ser, mas apenas uma circunstância que, em um dado instante, mudou os rumos que você havia traçado para si mesmo. Uma figura real ou imaginária, presente ou ausente; há muito mantida em cativeiro para justificar a sua tragédia pessoal.  

Nossa auto-indulgência elabora desculpas para os nossos fracassos e, transferir o fardo para um terceiro ou quarto elemento é uma das muitas formas de não assumirmos as nossas decisões. Não podemos culpar ninguém pela vida que vivemos, porque ela é fruto de escolhas pessoais. Você pode alegar que não tinha saída, que foi pressionado, induzido e muitas outras desculpas. Quanto a mim? Vou bater o martelo e dizer que a vida sempre oferece saídas. O que não é certo é transferir a responsabilidade que nos pertence para outro colo.

Atribuir um poder, capaz de boicotar a realização de um ideal de vida a algo ou a alguém, não é uma maneira muito honesta de ver as coisas. Apontamos o dedo e gritamos: Culpados! Culpados! A sociedade, o amigo invejoso, a mãe controladora, a infância pobre, a crença, o azar, o país, o gato. Quantos serão ao todo sentados neste banco dos réus e há quanto tempo? Porque insistimos em povoar essa cela, projetando culpas para fora dos limites do nosso ser? Precisamos de culpados para justificar o malogro, transferindo o erro para outro lugar? Maquiamos a impotência, os medos, a incompetência. Tantas coisas cobertas por nós com um véu, na tentativa de diminuir o peso de tudo isso sobre as nossas cabeças.

Mas o que fazer para mudar isso? Talvez o melhor caminho, e que não é o mais fácil, é agir com honestidade diante das escolhas. Não importa quantas pessoas você tenha envolvido nessas ocasiões tão importantes da sua vida, qualquer atitude que tenha tomado é de sua inteira responsabilidade, e não adianta culpar ninguém por isso. Muitas são as variáveis que interferem nos momentos de decisão. Olhar para trás arrependido não muda o que já passou e, menos ainda transferir a encargo para outro. O que vale é olhar para frente e ver o que ainda dá pra fazer com tudo isso. Reconhecer que naquele momento esse era o único caminho e, simplesmente, você não estava pronto para qualquer outro. Isso é crucial para eliminar um a um, todos os réus desse tribunal que você criou para justificar as suas decisões.
 
A vida muda o tempo todo, cada dia ela se revela como uma nova oportunidade. Não pense que perdeu alguma coisa. Toda essa bagagem de escolhas que o distanciaram lentamente do caminho inicial, e que você pode dar o nome de experiência, o capacita a transformá-las em ferramentas que irão ajudá-lo a retomar projetos e tirar da gaveta antigos sonhos. Porque para isso, sempre haverá tempo.



Por Rosana Sidom - Astróloga e Terapeuta Vibracional

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