quarta-feira, 11 de março de 2009

A vida na palma da mão


-->Incomoda saber que milhares de crianças e adolescentes, meninos e meninas de todo o país são molestados por adultos, todos os dias; incomoda mais saber que são alvo de pessoas em quem deveriam depositar confiança, gente do seu convívio familiar. Mas incomoda muito, ver a postura de um representante de Deus no caso da menina de 9 anos que foi alvo de abuso pelo seu padrasto, e que finalizou em uma gravidez de gêmeos. Alguns fatores óbvios, para quem se inteirou do assunto; levou a interrupção da gestação. É inaceitável ouvi-lo dizer que abuso sexual é um ato menos grave do que um aborto. Parece-me algo como aquele infeliz comentário do “estupra, mas não mata”, lembrado até hoje como símbolo de descaso a violência contra a mulher, desde que não seja a sua filha; a sua mãe; a sua irmã ou a sua esposa. Esse comentário me dá o direito de questionar. Terá interesse com isso em justificar a onda de abusos que volta e meia se ouvem, vindos do seio da própria Igreja?

Pecar contra a vida, seja ela nascida ou por nascer, para mim tem o mesmo peso, e creio que para muita gente. Qualificar um ato de violência contra um ser humano como algo de menor importância, principalmente quando este é ainda uma criança, é permitir a sociedade que se cometa mais violência. Penso que o arcebispo deveria pensar melhor antes de falar, porque sua voz ecoa por toda a sociedade, nem sempre preparada para filtrar o que recebe. Aquilo que não é grave pode ser cometido sem culpa. Um comentário perigoso e que pode abrir espaço para mais abuso.

A menina foi vítima de um homem doente, fruto de uma sociedade também doente. E daí eu pergunto: Que tipo de comportamento, essa atitude impensada desse adulto desajustado, poderá gerar nessa menina quando ela for uma mulher, no sentido real da palavra. Conseguirá estabelecer relações saudáveis com algum homem no futuro? Confiará nas pessoas? Visto que não encontrou no próprio lar um ambiente onde deveria reinar confiança e respeito. Bem, essas implicações eu não tenho atributos e creio que ninguém os tenha para determinar, mas com certeza deixou suas marcas.

Não sou a favor do aborto, primeiro porque sou partidária da vida; segundo, porque não acredito que nossa humanidade esteja pronta para exercer essa liberdade. Liberá-lo abriria um precedente para mais irresponsabilidade contra a vida. Mas devemos manter o direito à mulher violentada ou que possui riscos para si, de escolher ter ou não a criança que espera, e o Estado deve dar a ela os recursos necessários para isso. Quanto aos demais praticantes do sexo, a aplicação de programas de informação mais contundentes, e penso que a igreja deve participar disso ensinando e não impondo suas regras. Quando você não pode impedir as pessoas de fazerem algo, como sexo, então deve criar mecanismos para ensiná-las a serem responsáveis pelos seus atos. A igreja tem uma ferramenta de acesso ao povo e ao que parece nem sempre sabe usá-la.

Infelizmente, a violência cresce assustadoramente, sem poupar nada e ninguém e, o abuso contra menores, vem junto nesse pacote de horrores. No caso do atentado contra a infância, o pior é a possível conivência dos pais. Muitas mães se calam diante da violência contra suas filhas, por medo; mas quantas razões inconfessáveis podem existir nesse silêncio, que cada um pense e reflita sobre isso. Garantia certa é que, a partir desse instante, muito mais que a infância morre dentro destas crianças.

Todas as filosofias são unânimes em falar do perdão. Portanto, se elas creem que nós, mortais imperfeitos, podemos perdoar nossos inimigos; acredito que Deus em sua infinita sabedoria saberá perdoar essa menina, que ainda não tem claro os valores que regem a sua vida, pelo ato que foi obrigada a cometer. E que ninguém cometa a injustiça de colocá-la no banco dos réus, um lugar que não lhe pertence. A criança somente reproduz aquilo que vê.

Criança vê, criança faz e o faz muito antes de entender o significado real dos seus atos.


Por Rosana Sidom - Astróloga e Terapeuta Vibracional

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