domingo, 16 de novembro de 2008

Onde está o mestre?

“Quando o aluno está pronto o mestre aparece.”

Se você é uma pessoa empenhada no desenvolvimento pessoal, provavelmente já ouviu essa frase. O mestre e o pupilo. Este último, o novo herdeiro do conhecimento, pronto para recebê-lo e, futuramente, retransmiti-lo como o novo mestre, desde que é claro, se mostre digno. Esse encontro com alguém especial, que parece ter desvendado o caminho para a iluminação, capaz de estender-nos a mão e nos tirar do abismo em que acreditamos estar; nos revelar mistérios; abrir as portas do templo do conhecimento e, conduzir-nos à transformação. Isso nos conduz muitas vezes em direção a percepções irreais e buscas infrutíferas. Ficamos na ilusão de que um dia isso possa acontecer com a gente, desde que trabalhemos com afinco em direção a esse encontro. Mas o tempo passa e você descobre que ele não vem. Ao menos não como fomos ensinados a acreditar.

Não encontrar o "mestre" ou, deparar-se com “falsos mestres”, pode gerar sentimentos de descrença em toda essa corrida pelo aprimoramento pessoal. Porque buscar um mestre é procurar uma verdade que ilumine a nossa existência. Mas qual é a verdade neste mundo tão heterogêneo? Quantas verdades baterão a nossa porta até que encontremos uma condizente com as batidas do nosso coração? O caminhar em direção a essa meta pode tornar-se cansativo, e nos fazer sentir inaptos para trilhar pela senda da espiritualidade. Mas diferente das histórias e dos livros, muitas vezes romantizados, onde o pupilo encontra o seu mestre, a busca para os indivíduos comuns continua, e poucos realmente o encontram. Não porque não estejam prontos, mas talvez porque não saibam exatamente por que, onde, como e o que procurar.

Então quem é o mestre, ou talvez fosse melhor dizer: o que é o mestre e aonde procurá-lo? O mestre dos livros seria alguém que percorreu caminhos ainda desconhecidos por nós e encontrou a “verdade”. Aquele que sabe algo que ainda não descobrimos, e que seja um veículo para a nossa iluminação. Mas, se descobrir subentende algo que está coberto, basta uma abertura das nossas mentes para descortinar os seus véus e revelar os seus segredos. E, se olharmos com atenção, o mestre não está tão longe assim, às vezes um passo à frente e você poderá tocá-lo sem o saber. Porque o óbvio é como uma mão invisível acenando em nossa direção, nem sempre conseguimos enxergar.

À medida que avançamos e nos abrimos para o aprendizado, os mestres se revelam. Mas isso significa deixar muita arrogância espiritual e intelectual de lado, um dos maiores empecilhos para esta jornada. Essa é uma das condições para o encontro entre o mestre e o aprendiz. O mestre surge no momento em que sintonizamos com a vida e com tudo que ela tem a oferecer. Você percebe que ele está em tudo e em cada um de nós. Que se faz presente a todo o momento, aonde quer que você esteja, aonde quer que você vá. Mesmo aqueles que nos causam “mal”, tem em nossas vidas a função de mestres, por mais difícil que seja aceitar isso. E, se você der uma olhada rápida a sua volta, verá que eles estão por aí, as centenas. Não existe conhecimento se não estivermos receptivos a ele e, sem isso, nunca haverá mestres.

A vida é simples, mas a caminhada requer esforço. Essa busca por alguém que nos leve pela mão e nos conduza ao aprendizado; alguém que ajude a cortar o caminho para a nossa evolução, está dentro de nós. Nós possuímos as chaves para as portas desse templo. E somente com a nossa permissão é que elas poderão ser destrancadas. Você pode estar diante de uma pessoa nobre e evoluída, capaz de oferecer muito à você, mas se você não abrir as portas do seu coração e da sua mente, nada acontecerá. Quando aquietarmos a mente e removermos o véu que cobre as nossas percepções, poderemos finalmente aprender com cada pessoa e com cada experiência. Quando lemos um livro, ouvimos uma palestra ou, seguimos os passos de alguém a quem admiramos, estamos apenas estabelecendo uma conexão com a nossa sabedoria interior, através de mediadores.

Somos todos mestres e aprendizes. Quando estamos receptivos ao que temos para compartilhar, nos revelamos mestres. Quando nos abrimos para ouvir o que o outro tem a dizer, somos aprendizes. E assim vamos ensinando e aprendendo. O princípio da prosperidade. O mestre está sempre ao nosso lado, dentro de nós, à nossa frente e, em todo o lugar. O mestre sou eu e você em continua alternância, dentro do Tao.


Por Rosana Sidom - Astróloga e Terapeuta Vibracional

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Orelhas e Bocas

Um dos sábios conselhos de minha mãe e foram muitos, é que eu aprendesse a ouvir e a calar. Ela sabia muito bem porque estava a me dizer isso. Em termos práticos é um conselho precioso se você quiser evitar encrencas no dia-a-dia; seja no trabalho, no ambiente social, entre amigos e no seio familiar. Visto termos muitas vezes o hábito de passar para frente o que ouvimos. E, como um telefone, sem fio, perpetuamos uma informação, já alterada muito antes de chegar a nós; acrescentando a ela, o nosso discurso. O conto e o ponto em continua propagação.

Esses nossos comportamentos sociais, geralmente escondem uma agitação interna difícil de controlar. Uma dificuldade em lidar com as próprias necessidades e conflitos. Nem sempre o nosso discurso é positivo, às vezes, estamos apenas engrossamos o caldo do falatório sem propósito, uma estratégia para manter a mente ocupada. Mas como silenciar a inquietude, aplacar a ansiedade, a agitação que mantém em um movimento constante tudo dentro de nós. Esse caminho para a mansidão nos pede disciplina; um acerto de contas com as nossas tensões internas; um desconectar-se temporário do ego, desejoso por atenção. E, se não falamos com a boca, falamos com a mente, num ir e vir de pensamentos desconexos.

Continuamos na corrida frenética do dia-a-dia e não conseguimos reduzir o ritmo. Temos pouco tempo, temos pressa, temos desinteresse. Não sabemos ouvir, porque ouvimos coisas demais. Por isso quando ouvimos o fazemos mal, entendemos mal. Desaprendemos de ouvir, porque muitas vezes só queremos falar.

A relutância em diminuir o compasso para alguns é enorme e, quando afastados do ambiente social, acomodados em seus lares, não desligam. Ligam a TV; ligam o som; ligam para alguém, com medo de se ligarem. Ligarem em algo que, em suas cabeças, precisa permanecer desligado. Desligar o mundo de fora, para se ligarem no próprio mundo pode ser uma ameaça, com revelações às vezes, difíceis de encarar. Um risco que muitos não querem correr. O risco de ter que ouvir a própria voz. O silêncio incomoda e provoca apreensão em muitos corações, que se descobrem vazios.

Não basta ouvir com as orelhas, tem-se que ouvir com você inteiro. Esvaziar-se e seguir limpo dos pré-conceitos, das críticas, das
opiniões formadas. Ouvir exige atenção, no sentido da reflexão, da concentração. Só assim poderemos filtrar o que vem a nós, e o que vem de nós. E quando conquistamos esse silêncio percebemos que ele não nos ensina apenas a escutar o que o outro nos fala, mas a nós mesmos. Abrir o ouvir para os nossos anseios; para sintonizar com o nosso ritmo, as batidas do nosso coração. Ao calar, seguimos pela trilha do silêncio em direção a voz interior. Ela nos abre às percepções. Percepções para ouvir mais do que as palavras, o tom de voz, os gestos, as expressões do rosto, os significados entre linhas.

Calar é estar aberto para ouvir e ser ouvido. Porque o mundo sempre devolve aquilo que você dá a ele. Silenciar o eu interior é abrir-se para o que o mundo tem a dizer e seguir em direção a si mesmo, para escutar a própria voz e o que ela nos quer revelar. Aquela voz que habita em nós, no próprio silêncio.

Um minuto de silêncio! Você consegue?



Por Rosana Sidom - Astróloga e Terapeuta Vibracional