terça-feira, 23 de setembro de 2008

O passar das horas

Ao nascermos todos os relógios apontam em uma única direção: O futuro. Vamos sendo conduzidos pela vida em um ritmo natural e, o tempo, nos parece ir acelerando com o passar dos anos. Mas não é o relógio que está girando mais rápido, esse mais rápido é como o vemos passar. O tempo é algo estranho, pois ele estica e encolhe conforme a nossa vontade. Um processo ditado pela percepção humana. E nos vemos envelhecer através do espelho, que reflete uma realidade muitas vezes difícil de aceitar. O envelhecer é obrigatório, mas como envelhecer é opcional. E isso é um processo da vida que poucos param para pensar. Vamos vivendo em um ritmo frenético dos dias, dos meses, dos anos, apagando velinhas.

Em um passeio rápido com os olhos pelo nosso mundo, podemos ver casais de velhinhos de mãos dadas nas praças; passeando no parque com os netinhos; jogando dominó com os companheiros de vila; podemos ver velhinhos solitários pegando ônibus e, ainda trabalhando, porque para alguns a velhice é dura; outros, em bandos como os pássaros, exercitam a sua liberdade e partem em viagem, por alguma excursão destinada a terceira idade; alguns em cadeiras de rodas, porque as pernas não respondem mais aos comandos do cérebro, as forças já não sustentam o corpo antes viril. Vemos velhinhos teimosos e “caducos”, mas que nem sempre o são, nossa visão de quem pensa estar no auge das suas faculdades mentais não entende que os ritmos vão mudando, o compasso tem outra batida. Podemos ver também velhinhos realmente senis, refugiando-se em seus próprios mundos, fugindo das amarguras com as quais não souberam lidar; os vemos as centenas em asilos ou casas de repouso.
E, sem precisar correr os olhos para muito longe, vemos os nossos pais envelhecerem, mas nem sempre conseguimos ver o nosso próprio tempo chegando. Parece-nos surpreender o envelhecimento do outro, talvez como uma forma de adiar o nosso próprio. A velhice é sempre um ponto delicado em qualquer tempo e em qualquer lugar. E nesse assunto não sabemos aprender com os mais velhos, porque a velhice nos parece algo distante, até que cheguemos a ela.

“Não tem esse papo de que ficar velho é coisa da cabeça” - Palavras ditas por alguém que estava chegando lá; alguém que já sentia os seus reflexos, ou melhor, estava a perdê-los. Velhice é tratada como uma doença, algo com que acordamos um dia, de repente, e que não tem cura. Não há vemos acontecer dia após dia, não há meios de detectá-la, até que o espelho um dia a revele diante das vistas fracas prontas para enxergar.Você pode se manter jovem por dentro, mas o seu corpo vai apontar para outra direção. Você pode estender por anos o vigor físico através de dietas saudáveis, esportes, meditação, disposição para a vida, mas ainda assim o tempo não reduz a sua marcha. E você vai perceber que o vigor tem um novo compasso, nas diferentes etapas da sua vida e, assim será quando chegar a terceira idade. Como é difícil aceitarmos esse processo que nos conduz ao fim de uma etapa de vida. Talvez porque envelhecer nos aproxime mais da morte, mesmo que está não seja um privilégio dos mais velhos.Dizem que tornar-se idoso é voltar a ser criança. E tudo faz sentido. Nesse momento muitos deixam seus lares, laboriosamente conquistados, para viverem com os filhos. Perdem os seus espaços, a sua autonomia, a sua independência; o medo do abandono se instala. Em um momento o pai é a força que protege o filho, viramos a moeda e vemos o filho a proteger o seu pai, ou não. Existem muitas histórias, e nem todas tem um final feliz. A fragilidade se revela até nos mais fortes. A pele já não responde rapidamente aos ferimentos. Deixa de ser forte e protetora e torna-se uma fina camada denunciando nossa verdadeira pele. Expondo-nos ao mundo.E olhamos a idade como a um mostro a consumir-nos em pesadelos. Tornar-se idoso chega a ser doloroso, pois a juventude não está preocupada em olhar antes do tempo, para um tempo que um dia será seu. Como culpá-la por isso, pois é esse vigor que nos impulsiona em direção ao futuro. Mas um alerta deve ser levantado, pois a busca pela juventude eterna nunca foi tão procurada. Vivemos em uma época onde a beleza e o fresco da juventude, supra-sumo da existência humana, ofusca a realidade. Você pode esconder-se atrás de uma pele reformada, mas isso não irá frear o que não tem freio. O TEMPO. Não conseguir perceber no envelhecimento um estado natural das coisas, arrisca não somente a congelar o seu corpo num tempo (terrestre) que não lhe pertence, mas a sua mente e o seu espírito. Os processos andam em paralelo, nas diagonais e em linhas cruzadas. Interligados e interdependentes.Se eu pudesse ver através dos olhos daqueles que já não tem tantos olhos para ver, e atravessar a tênue nuvem que parece querer ofuscar suas almas, pois dizem que os olhos são o espelho da alma, e nessa travessia cruzar as pontes do tempo e reviver suas histórias, veria: amores que foram e amores que não foram; veria paixão e arroubo; veria garra para enfrentar o mundo e, um grande parque de diversões que o mundo um dia foi para todos nós, cheio de possibilidades. Veria alegrias e tristezas, sorrisos e lágrimas. Veria um coração bater mais forte com a chegada do primeiro filho; um coração fechar as portas por um amor não correspondido. Veria corações abertos para a vida, e corações fechados por medo de serem feridos. E ali estaria a história de cada um e de todos nós.Devemos saborear como a um delicioso petisco, todas as fases de nossas vidas, e aceitar sem medo o ritmos do tempo. Devemos aprender a olhar com simplicidade para a vida e tentar alcançar uma visão macro do que somos e qual o rumo que iremos seguir. Não sabemos de onde viemos e nem para onde iremos. Mas sabemos que como nascemos um dia partiremos, em direção a um novo tempo e um novo espaço.Negligenciar a velhice é deixar para trás a própria história. É deixar a sabedoria para depois, para um tempo que ainda não existe. Apesar de que não creio que velhice e sabedoria sejam coisas que andem juntas. Tem-se que cultivá-la ao longo do caminho, no tempo em que você ainda acredita que tem, um mundo inteiro pela frente.


Por Rosana Sidom - Astróloga e Terapeuta Vibracional

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