segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Impressões do Cotidiano


A Idade da Loucura.

Vivo em uma grande metrópole e, cada dia que passa, observo a olhos nus uma enorme bomba se formando, incapacitados que somos, em operar mudanças eficazes na construção de um lugar melhor para se viver. E estamos inchando. Somos uma metrópole que cresceu demais e que não consegue administrar a sua própria grandeza. Pessoas são como cidades. São Paulo é daquelas que tinha a semente da grandeza. Mas como tudo, sejam pessoas ou cidades, é importante se descobrir à medida; o limite das coisas.E ela continua crescendo. Crescendo para cima, com novos empreendimentos imobiliários pipocando a cada dia. Onde caberá tanta gente? Porque uma coisa é estarmos vivendo “uns em cima dos outros”, em caixas cada vez menores, chamadas de apartamentos. Outra coisa é essa massa de gente toda reunida na horizontal. Precisamos expandir o país. Criar novos pólos, dar a oportunidade a outras cidades de se tornarem grandes. Mas algumas cidades querem continuar pequenas, como algumas pessoas, e não permitem mudanças.O meu mundo é visto pelos olhos desta cidade, onde nasci e vivo desde sempre. O meu universo, formado por isso que fui absorvendo ao longo da trajetória da minha vida. E posso garantir, esse crescimento exacerbado não pode ser bom para ninguém.Quando olho esse mundo em que eu vivo, e expando para além das cortinas do tempo, fico aqui imaginando com os meus botões: Como será definido esse período em que vivemos daqui a 1000 anos? Posso usar a minha imaginação, coisa que não me falta, para ter uma idéia. Projetar o meu pensamento até um futuro distante e desconfiar que o nosso tempo, nesse lugar que eu vivo, pode ser aclamado como a “Idade da Loucura”. Pressupondo que os movimentos em busca de uma melhor qualidade de vida, consigam ramificar-se amplamente por todos os setores da sociedade e, lentamente, passe a fazer parte do dia-a-dia dessas pessoas do futuro.Sim, a Idade da Loucura. Tempos conturbados estes, principalmente para quem vive por aqui nos grandes centros. Mas também difíceis para quem vive e respira neste mundo dos transgênicos e vida artificial. Neste mundo globalizado; onde tudo, afeta a tudo. Poluição generalizada, e se alastrando por onde o Homem passa. Somos seres que deixam rastros. Pulmões verdes cada dia mais escassos, incapazes de aplacar toda a sorte de gases expelidos de todos os tipos de canos, sejam metálicos ou orgânicos por todo o planeta. Lixo espacial pela eternidade ao redor do planeta Terra. Buraco na camada de ozônio...
Esse Tempo em que o Homem ainda almeja não somente continuar a sua exploração pelo espaço, mas colonizá-lo. Povoar outros planetas, ampliar suas áreas de influência. Destruímos a Terra e, como gafanhotos, sem moradia, estamos criando recursos para morar na Lua e prospectamos mais longe. Incompetentes, para cuidar da própria casa, buscamos a casa alheia para espalhar mais sujeira e desordem.Estamos vivendo a Idade da Loucura, onde não conseguimos reconhecer no outro a nós mesmos; com as mesmas necessidades básicas a serem satisfeitas, e com desejos próprios relativos à natureza de cada um. Guerras políticas e ideológicas, onde todo tipo de sangue real e simbólico, é derramado todos os dias das mais imagináveis e inimagináveis formas. Sangue tão vermelho quanto o meu e o seu. Como podemos ser felizes num mundo onde pessoas e seres vivos sofrem nas mãos dos seres pensantes do planeta Terra, chamado Homo Sapiens.

Tanto conhecimento adquirido ao longo da história e ainda permanecemos bárbaros. Tantas religiões e filosofias de vida tentando ensinar o respeito e o amor ao próximo, e ainda não compreendemos que, respeito pressupõe liberdade, para mim e para você também. Que respeito é viver e deixar viver. Ao que parece, cada um está mesmo é tentando salvar a própria pele. Mas esquece que se o mundo não for um bom lugar para viver, não há pele que sobreviva. Porque a sua seria diferente?
Não pode existir felicidade num mundo onde seres vivos de todas as espécies sofrem nas mãos de outros seres vivos.

Buscamos o nosso crescimento e a satisfação dos nossos desejos. Esquecemos que todos buscam a mesma coisa. Um buraco de insatisfação aumenta, a cada dia. Bombas relógios prontas para explodir. Multidões correndo o tempo todo, para todos os lugares e para lugar nenhum. Vivemos uma vida que não é a nossa, através dos personagens de televisão, da fofoca da vida alheia nas revistas de entretenimento. Desconectadores da vida real. Vivemos aprisionados dentro das nossas pequenas conquistas e, temerosos de sermos despojados delas por alguma catástrofe inesperada, precisamos nos assegurar. Precisamos?


Em geral costumamos ter uma boa imagem a nosso respeito. Acreditamos que queremos um mundo melhor e que do nosso modo estamos contribuindo para isso. Mas se olharmos ao redor, com honestidade, você não conseguirá ver o resultado de tanta boa vontade. O mundo não melhorou. Creio que estejamos errando o alvo. As pessoas ainda estão ficando doentes e mais. Estamos míopes em relação à vida. Uma visão equivocada da realidade, valores essenciais deteriorados que transformou-nos em animais ferozes; predadores vorazes na busca pelo alimento. Acotovelamo-nos em supermercados; furamos filas em pontos de ônibus cheios e escassos; espalhamos nossos ranços em qualquer canto ou pessoa que nos de uma brecha. Criamos o caos. Somos escravos do tempo, do dinheiro, de tantas coisas. Somos escravos de um sistema que não conseguimos mudar. Somos escravos de uma liberdade que acreditamos ter. Tantas escravidões.Estamos sofrendo de uma miopia crônica, não porque usemos óculos, mas pela dificuldade em olhar para o lado e perceber com clareza o mundo de loucura que criamos para viver. Fadados a andar em círculos, tentando vez ou outra, encontrar uma falha na roda para conseguir escapar dela. Alguns poucos conseguem, mas a maioria retorna pela pressão que os empurra de volta a ela. Ao sistema.Teremos mesmo mais 1000 anos no futuro para olhar para trás e não sentir saudades do tempo em que os rios espumavam como cachorros loucos? A humanidade terá tempo para nominar essa idade em que vivemos?A Idade da Loucura!

Por Rosana Sidom - Astróloga e Terapeuta Vibracional

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